sábado, 15 de março de 2008

Crítica - The Silence of the Lambs (1991)

Realizado por Jonathan Demme
Com Anthony Hopkins, Jodie Foster, Scott Glenn, Ted Levine, Diane Baker

“Silence Of The Lambs” é sem dúvida o thriller da década de noventa. Uma intrigante e magistral obra de suspense psicológico com toques de terror que foi muitíssimo bem recebida pela opinião publica mundial e que apresentou à sociedade um dos vilões mais enigmáticos de sempre, Hannibal Lecter, interpretado brilhantemente por Anthony Hopkins. O argumento do filme foi escrito por Ted Tally que adaptou a aclamada obra literária “The Silence of the Lambs” de Thomas Harris para cinema, entregando o projecto ao realizador Jonathan Demme. No filme, o FBI anda à procura de um assassino em série apelidado de Buffalo Bill que rapta jovens raparigas mantendo-as prisioneiras durante algum tempo para depois mata-las e arrancar-lhes pedaços de pele. Para ajudar na sua captura o FBI pede ajuda á jovem Clarice Starling (Jodie Foster), uma brilhante recém-licenciada perita em comportamentos psicopatas e que sonha um dia poder fazer parte do FBI. Seguindo ordens do seu chefe, Jacck Crawford, visita um asilo/prisão de segurança máxima onde está preso o temível e infame Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), um psicopata assassino dotado de uma elevada inteligência que conhece melhor que ninguém os pensamentos dos mais sádicos serial-killers. A missão de Clarice é tentar obter informações de Lecter que possam conduzir à captura de Buffalo Bill, no âmbito das “entrevistas” as duas personagens vão se envolvendo num perigoso jogo psicológico.
Jonathan Demme voltou a apostar nos thrillers policiais, um género que tinha vindo a ser esquecido pelos estúdios de Hollywood e que era fracamente retratado pelos poucos filmes que iam aparecendo. Demme teve portanto um esforço adicional para criar um filme que se afastasse da vulgaridade e trivialidade do género, uma obra que fosse enigmática e que apresentasse aspectos raramente abordados em Hollywood. O seu brilhante trabalho de realização foi apoiado por um magnífico trabalho escrito. O guião de Ted Tally adaptado da obra-prima de Thomas Harris apresentava uma grande qualidade e uma estrutura narrativa coerente e inovadora. O prato forte do filme é sem duvida os diálogos entre Clarice e Lecter e os jogos psicológicos em que as duas personagens se envolvem. São ambos astutos e perspicazes e chegam por vezes a entrar na mesma sintonia de pensamento, contudo Clarice usa o seu brilhantismo em prol do bem com a finalidade de ajudar terceiros enquanto que Lecter utiliza o seu génio para praticar o mal, divertindo-se com os seus jogos mentais, mesmo que estes prejudiquem outros seres humanos. No fundo, o “embate” entre os dois tem vários significados porque é o derradeiro confronto psicológico entre o bem o mal ou entre a juventude e a experiência ou ainda entre a sanidade e a insanidade. Jonathan Demme soube aproveitar a riqueza narrativa do guião para criar na tela de cinema um filme carregado de intelectualidade e intriga, soube também explorar muito bem a qualidade dos diálogos para criar cenas deveras marcantes, no fundo as partes mais emotivas e interessantes do filme são as conversas entre Clarice e Lecter porque são elas que fornecem o combustível que alimenta todo o filme.
O elenco é outro aspecto francamente positivo. No fundo, as representações não fogem à regra de qualidade imposta pela realização e pelo argumento. O elenco é composto por duas estrelas principais, Jodie Foster e Anthony Hopkins, e várias personagens secundárias que ajudam a completar a história. Foster foi para mim a perfeita escolha para o papel de Clarice Starling porque nos brindou com uma performance praticamente brilhante mostrando-se sempre enquadrada com a história do filme e da sua personagem, uma performance muito agradável e merecedora do Óscar de Melhor Actriz Principal que recebeu em 1992. Anthony Hopkins já estava habituado a papéis complexos e difíceis mas nenhum dos seus trabalhos anteriores lhe deu tanto reconhecimento com o do Dr. Lecter. Hopkins usou de toda a sua experiência e talento para interpretar o complexo Hannibal Lecter, uma personagem que ficará para sempre gravado na história do cinema. A sua brilhante interpretação valeu-lhe o Óscar da Academia para Melhor Actor Principal e abriu-lhe a porta para uma década de sucessos. A banda sonora de “The Silence of The Lamb” é da autoria de Howard Shore que teve aqui mais uma vez um bom trabalho, contudo num filme onde a realização, o argumento e as interpretações são tão boas, este aspecto técnico cai para um plano mais secundário, o mesmo se passa com a fotografia de Tak Fujimoto. “The Silence of the Lambs” é uma excelente história com múltiplas ramificações onde são visíveis os demónios pessoais dos vilões e dos heróis. O filme conta com uma forte envolvente psicológica e intelectual que prende o espectador do princípio ao fim, conta também com duas brilhantes interpretações de Anthony Hopkins e Jodie Foster e um magnífico trabalho de realização por parte de Jonathan Demme para além de vários aspectos técnicos que também contribuíram para a excelência do produto final. Um filme fortemente recomendável a todos os que gostam de um bom thriller.

Classificação - 5 Estrelas Em 5

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